Criar soluções tecnológicas que gerem impacto real de negócios pressupõe, antes de tudo, aproximar quem vive os desafios de segurança no cotidiano.
É a partir de ambientes de discussão mais intimistas e focados que nascem as trocas mais relevantes do mercado. Foi com esse propósito que, no último dia 11 de maio, o Hotel Hilton Garden Inn foi palco de um debate de alto nível sobre cibersegurança e o futuro da defesa digital.
Como uma ação de pré-evento, antecedendo o Security Leaders, estivemos ao lado da nossa parceira Check Point promovendo um jantar executivo exclusivo, o CISO Round Table.
O encontro reuniu diretores e gestores de TI de grandes corporações de Minas Gerais e do Brasil para discutir o tema: "Se a ameaça é inteligente, a defesa precisa ser também".
O jantar focou, principalmente, na urgência de frameworks de governança para Inteligência Artificial, um desafio que já ultrapassou as barreiras culturais e agora exige respostas operacionais imediatas.
Segurança nativa e o fim do bloqueio
A discussão, conduzida sob a ótica técnica e estratégica de Alexandre Murakami, Diretor de Soluções da Tripla, revelou um consenso entre os CISOs: o bloqueio absoluto da IA não é uma opção, mas o uso sem governança pode acarretar consequências desastrosas.
Como bem destacou Leonardo Santos, do Banco BMG, "Inteligência é usar; sabedoria é saber como usar".
Murakami provocou o grupo ao resgatar o conceito de modelagem de ameaças dos anos 2000, adaptando-o para a realidade atual.
O debate evidenciou que a segurança precisa ser nativa, com agentes de segurança orquestrando pipelines de desenvolvimento para garantir que a inovação não crie lacunas de exposição.
Os desafios estruturais da era agêntica: complexidade técnica e governança
Os debates do CISO Round Table demonstraram que o mercado superou a fase de experimentação. Os desafios discutidos pelas lideranças tocam diretamente na arquitetura técnica, na conformidade e na sustentabilidade financeira das operações de segurança. Abaixo, destacamos os principais aspectos que nortearam o encontro:
A incompatibilidade do IAM tradicional e o risco do shadow AI agêntico
A infraestrutura legada de Gestão de Identidade e Acesso (IAM) foi projetada exclusivamente para interações humanas e tem apresentado lacunas diante da autonomia dos algoritmos.
O principal alerta do debate girou em torno do Shadow AI agêntico: agentes de Inteligência Artificial que, ao interagirem de forma automatizada no ambiente corporativo, acabam concedendo permissões indevidas entre si. A lógica de controle de acessos precisa ser redefinida, uma vez que o modelo tradicional não comporta o comportamento de sistemas autônomos.
Impacto financeiro e a ineficiência no consumo de tokens
A ausência de planejamento técnico detalhado e de maturidade na especificação de requisições tem gerado um impacto severo nos orçamentos de tecnologia. Sem a otimização de prompts e de arquiteturas de consumo, o volume de tokens usados ultrapassa rapidamente as previsões orçamentárias anuais.
Essa ineficiência operacional faz com que projetos de automação mal dimensionados apresentem um custo total superior ao da execução por analistas humanos para a mesma finalidade.
Automação vs. autonomia: a descentralização do risco corporativo
Por ser uma tecnologia não determinística, capaz de gerar respostas distintas para uma mesma instrução, a IA introduz um desafio complexo de responsabilização (accountability).
A fronteira entre a automação de processos e a concessão de autonomia esbarra na falta de uma matriz de propriedade de risco clara. Enquanto as áreas de negócios e dados priorizam agilidade e integração, a responsabilidade final pelos riscos imprevisíveis de conformidade e segurança frequentemente carece de um proprietário definido na estrutura organizacional.
A reconfiguração de escopo em cyber e o cenário em OT
A adoção de Inteligência Artificial está redesenhando as funções e especialidades em cibersegurança. Atividades tradicionais de Pentest e rotinas operacionais de NOC/SOC passam por um processo de transformação e substituição parcial, convergindo para cenários onde soluções de SIEM passam a atuar como orquestradores centrais de múltiplos agentes de segurança.
Em contrapartida, o ambiente de Tecnologia de Operação (OT) e os sistemas industriais mantêm uma postura conservadora, evidenciando um atraso na modernização que, simultaneamente, representa uma oportunidade para o desenvolvimento de monitoramento preditivo.
Amplificação do risco insider e a complexidade de sistemas legados
O ecossistema de parceiros, fornecedores e franqueados (TPRM) consolidou-se como um vetor de ataque altamente volátil. Esse cenário é agravado pela sofisticação do crime organizado, que passou a mapear indicadores geográficos de fraudes digitais e a aliciar colaboradores internos com acesso privilegiado à infraestrutura de TI.
Adicionalmente, a conexão de pipelines de IA a sistemas legados foi apontada como uma das etapas mais críticas do processo de modernização. A falta de estruturação e padronização dos dados originais exige o desenvolvimento de camadas robustas de verificação personalizada, elevando a complexidade técnica e a superfície de exposição a vulnerabilidades.
Uma construção coletiva da qual a Tripla se orgulha de participar
Participar desses momentos deixa nítido para nós, que avanços tecnológicos, como a IA, trazem grandes oportunidades, mas também dúvidas e preocupações pertinentes. Afinal, os benefícios parecem caminhar na mesma proporção que os novos riscos, e encontros como esse muitas vezes levantam mais perguntas do que respostas.
Mas acreditamos que esse é o caminho ideal: o processo de refletir e elaborar boas perguntas é sempre o primeiro passo para construir, de forma coletiva, as soluções que o mercado precisa.
Para a Tripla, apoiar e protagonizar eventos como este é parte fundamental de sua missão de conectar tecnologia e conformidade. Como patrocinadora do jantar, reafirmamos nosso compromisso em sermos um braço estratégico para os CISO’s, ajudando a transformar a IA de um risco potencial em um ativo de defesa inteligente.




