A busca na internet está mudando: além das listas de links, motores generativos passam a entregar respostas sintetizadas a partir de várias fontes. Com isso cresce o Generative Engine Optimization (GEO), o conjunto de práticas para aumentar a presença de uma marca nessas respostas. Em artigo publicado no TI INSIDE, João Lucas Saldanha, Lead Advisor em GRC e Governança Algorítmica da Tripla, defende que tratar GEO apenas como tema de marketing é uma visão limitada: quando a interpretação do modelo falha, o problema deixa de ser visibilidade e se torna risco reputacional, jurídico e de privacidade.
Alucinações e reputação
Ao cruzar relatórios, notícias antigas, fóruns e registros públicos, um modelo pode atribuir a uma empresa uma falha que não existe, um recall já resolvido ou uma política de preços desatualizada. O dano à imagem pode ser imediato e difícil de reverter, o que exige acompanhar de perto como as organizações são descritas pelas plataformas de IA.
Raspagem de dados e LGPD
Robôs de indexação e coleta podem capturar e-mails corporativos, documentos expostos sem proteção e dados pessoais de executivos ou clientes. O artigo lembra que a coleta de informações públicas não é, por si só, uma violação da LGPD, mas que a organização continua obrigada a demonstrar que protegia dados que não deveriam estar acessíveis, à luz das bases legais e dos princípios da lei.
Três pilares de governança contínua
- Gestão de perímetro e contenção: mapear APIs e ambientes digitais, impedir acessos e raspagens não autorizados e limitar a movimentação lateral, por exemplo com microssegmentação.
- Higiene e governança de informações públicas: auditar periodicamente quais dados institucionais estão expostos e manter as fontes oficiais atualizadas e precisas.
- Monitoramento reputacional de respostas: acompanhar como as principais IAs generativas descrevem produtos, serviços e conduta da empresa, corrigindo o que estiver sob seu controle.



