Diante do vazamento de dados do Smart Sampa, sistema de videomonitoramento da cidade de São Paulo, a Prefeitura negou falhas de segurança e atribuiu o incidente à conduta criminosa de um servidor. Em artigo publicado no TI INSIDE, João Lucas Saldanha, Lead Advisor em GRC e Governança Algorítmica da Tripla, aponta o problema dessa linha de defesa: ela opõe duas situações que, tecnicamente, não são excludentes. Uma ameaça interna pode, sim, revelar uma falha de segurança.
Acesso legítimo não garante ação legítima
O insider malicioso é um dos riscos mais conhecidos e mapeados pelos principais frameworks de segurança. Ter acesso autorizado a um sistema não torna legítimo tudo o que se faz com ele, e essa é uma das bases do modelo Zero Trust. Privilégios excessivos, proteção fraca de credenciais e deficiências na detecção e resposta também são falhas de segurança, mesmo sem invasão externa.
O que o caso mostra
Segundo a investigação jornalística citada no artigo, informações que permitiam acesso a imagens de mais de 58 mil câmeras ficaram expostas por cerca de 11 meses sem detecção pela própria administração. O texto questiona se controles como gestão de identidade e acesso (IAM), segregação de funções, menor privilégio e monitoramento contínuo estavam de fato implementados e operantes, e observa que a exigência de autenticação de múltiplo fator em determinados acessos só veio após os questionamentos. A conclusão é que punir o responsável é necessário, mas não encerra a apuração: é preciso entender os canais usados, o tempo de exposição e quais garantias impedem que a mesma vulnerabilidade seja explorada de novo.

